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A LGPD, os serviços wi-fi e o futuro dos dados

Por Walter Sabini Junior*

Os recentes escândalos de vazamentos de dados em redes sociais fizeram com que a maioria dos países apressassem suas resoluções para garantirem uma proteção maior à privacidade dos usuários. Em maio, por exemplo, a União Europeia regulamentou a lei conhecida como GDPR. Três meses depois, o governo brasileiro sancionou a Lei Geral de Proteção aos Dados para garantir maior transparência no trato com as informações digitais. Entretanto, diante dessa preocupação necessária, fica a indagação: qual o impacto dessas medidas em serviços que necessitam de redes wi-fi e que trabalham justamente com a troca de dados?

Hoje, é impensável imaginar o mundo sem as vantagens permitidas pela conexão sem fio. Dos smartphones ao próprio ato de consumo, nossa vida nunca mais foi a mesma: temos mais informações à disposição, nossos objetos estão cada vez mais conectados e diversos hábitos do nosso dia a dia foram automatizados e otimizados pelos equipamentos inteligentes que também se comunicam entre si. No entanto, para tudo isso acontecer, é necessária justamente a troca de informações sobre o comportamento dos usuários.

O compartilhamento de dados não chega a ser um problema para os brasileiros. Pesquisa da Kaspersky Lab, em 2017, mostra que 96% dos usuários do país compartilham suas informações digitalmente e 49% dos presentes em redes sociais deixam seus perfis no modo público. Além disso, 3% dos entrevistados ainda admitiram que compartilham dados confidenciais com pessoas que não conhecem, ignorando todas as recomendações de segurança digital.

Se o compartilhamento não chega a ser um incômodo, a sensação de impotência diante da falta de transparência na forma como estas informações são trabalhadas é o que irrita os cidadãos – e explica a busca por uma regulamentação. Muitas empresas abusam da confiança do usuário e disponibilizam seus dados comportamentais e demográficos a outras organizações sem a anuência do indivíduo. Ou pior, são coletados e armazenados sem que as pessoas fiquem sabendo. Uma experiência negativa já é suficiente para quebrar a confiança em todo o sistema.

Por outro lado, essas informações são vitais para as empresas aprimorarem a gestão e oferecerem os melhores produtos e serviços aos clientes. É inegável que uma boa experiência de compra passa pela capacidade da loja de entregar aquilo que a pessoa procura no momento certo e com uma ação adequada – o que só é possível a partir da análise de informações comportamentais coletadas anteriormente. No varejo físico, por exemplo, sensores conectados ao wi-fi trazem relatórios importantes sobre o fluxo de visitantes do local, permitindo a adoção de estratégias mais acuradas e condizentes com seu público-alvo.

Portanto, em um cenário em que a proteção aos dados se tornou parte importante da discussão pública, cabe aos empresários terem bom senso para continuarem aperfeiçoando seus negócios a partir das informações digitais das pessoas. Na era da conexão wi-fi, é imprescindível ter um perfil completo de seus clientes. Por isso, respeite a privacidade dos usuários, trabalhe apenas com dados coletados de forma segura e honesta e, principalmente, transforme todo esse conteúdo em experiências positivas para as pessoas.

*Walter Sabini Junior é sócio-fundador da FX Retail Analytics, empresa que oferece inteligência para o varejo por meio do monitoramento de fluxo

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