4_inteligencia_artificial

A Inteligência Artificial nos bancos brasileiros

Assistentes virtuais e analytics com Inteligência Artificial estão entre as aplicações em produção ou em desenvolvimento nos bancos. Em um levantamento exclusivo com líderes de Bradesco, Original, BNB, Inter, Sicoob e Sicredi, a integração de grandes volumes e a governança de dados sensíveis são os pontos mais críticos dos projetos. Docente da FIA (Fundação Instituto de Administração e diretor da Abria (Associação Brasileira de Inteligência Artificial) destacam desafios da formação de profissionais e de visão de inovação entre os dirigentes empresariais.

Como desdobramento das pesquisas do Anuário Brasileiro de Bancos, conversamos com os estrategistas de TI que sinalizam maior prioridade aos projetos relacionados a Inteligência Artificial, para atualizar o status de suas iniciativas, assim como para destacar as dificuldades, os fornecedores de referência, as questões de infraestrutura e outras experiências que valem a pena ser compartilhadas.

Bradesco –Em agosto, o Bradesco lançou na Play Store um aplicativo para clientes tirarem dúvidas. Com uma estratégia de distribuição paulatina, sem campanha publicitária, essa funcionalidade acessória ao mobile banking é um dos desdobramentos do BIA (Bradesco Inteligencia Artificial), implementado a partir de 2016.

Segundo Marcelo Câmara, gerente de inovação, até agora o BIA “aprendeu” a formular 4 mil respostas a 600 mil perguntas sobre 60 produtos, com 96% de assertividade. Em um projeto sobre plataforma Watson (o primeiro grande uso de nuvem pública do banco), o foco até agora são nos algoritmos de atendimento assistido por IA, sem grande carga de dados ou serviços transacionais.

Câmara destaca a facilidade de desenvolvimento e configuração das aplicações, sem dependência do desenvolvimento, como uma das premissas. “O Watson tem uma interface amigável e os próprios funcionários de relacionamento com clientes fazem a curadoria da BIA”, diz.

As questões de conformidade e tratamento de dados sensíveis é um dos pontos de atenção realçados pelo especialista do banco de varejo.

Além da IBM, provedora neste projeto, Câmara acompanha inciativas de empresas como Google e tem especial atenção a startups locais.

Banco Original – No último semestre, o banco intensificou a prospecção de aplicações de IA. Já está em produção o Original Bot, um assistente virtual no Bot Original que atende no chat e pelo messenger do Facebook. Wanderley Baccala, CIO, observa que o maior esforço para a construção de aplicações é criar as correlações de dados. “O reconhecimento de fala natural é uma tecnologia madura. Desafio é reunir conjunto de informações sobre as quais se criem serviços valorizados pelos clientes”, resume.

Baccala destaca que sua organização de TI conta com uma facilidade peculiar de abertura de APIs, microsserviços e outras características que permitiram, inclusive, trocar de fornecedor com os projetos em execução. “Nós não temos um projeto de transformação digital. Já nascemos com uma arquitetura em que os serviços online e o core do banco foram feitos para tratar informação de forma integrada e em tempo real”, afirma.

Banco Inter – Em agosto, o banco começa a rodar modelos preditivos baseados em IA para comparar com processos atuais, com grupos de controles. Guilherme Ximenes, superintendente de TI, destaca o desenvolvimento de APIs como base da interoperabilidade fundamental tanto para os projetos relacionados a banco digital quanto IA. “A questão dos dados é importante para um modelo de sucesso”, define.

Para criar aplicações analíticas com uso de IA, a organização aproximou os data analysts e arquitetos de software para construir um framework de entrada de dados em um data lake.

Ximenes menciona que o banco tem uma estrutura madura de BI, com uso de Tableu. “Aproveitamos muito do BI, que sinaliza a estrutura de dados”, diz. “Quanto mais informação melhor, mas identificar o que é relevante no dado não é tarefa simples”, acrescenta.

O projeto do Inter é desenvolvido sobre plataforma Linux e roda na Amazon. “Fomos para a AWS pela estrutura de processamento e armazenamento. O modelo preditivo em desenvolvimento avalia até 10 mil variáveis, o que estressa storage e memória. A AWS tem condições de ingestão de dados em massa e próximo a real time. A transação no data lake leva poucos segundos”, conta.

Sicoob – as primeiras inciativas com IA começaram em 2015 e em junho deste ano foram lançados os aplicativos Faça Parte e Conta Fácil, com um chatbot para assistência ao cliente em linguagem natural. Edson Lisboa, o Superintendente de TI, informa que as soluções rodam em nuvem, mas em ambientes dedicados. “Uma prioridade é o suporte aos cooperados, para que não rodem dados sensíveis fora dos limites de nossa instituição”, observa.

A inteligência artificial no Sicoob tem como um dos objetivos disseminar os melhores padrões de atendimento entre os cooperados, além de expectativas de ganhos de eficiência operacional.

Edson Lisboa critica a interface das ferramentas de IA, que ainda impõem muita dependência das equipes de TI. “As soluções analisadas ainda possuem uma interface muito dependente das equipes de TI. Nós acreditamos que as soluções vão amadurecer para simplificar sua operação. Por se tratar de uma tecnologia muito nova, também encontramos dificuldades na contratação de mão de obra especializada. O caminho tem sido a formação interna dessa capacidade”, conta.

Sicredi – Atualmente, a condição prioritária na estratégia de banco digital do Sicredi é o desenvolvimento de APIs, microsserviços e outros padrões seguros de interoperabilidade. Jorge Leandro Fabre, superintendente de arquitetura corporativa, explica que trabalha sobre integrações internas e externas para modernização dos sistemas core e construção das plataformas digitais. “A integração segura com provedores e parceiros, por meio de APIs, é condição para os projetos de IA, alianças com fintechs e outras inovações”, pondera. “Ser mais ‘inteligente’ neste momento tem a ver com a arquitetura e com a agilidade em que essas interconexões podem ser estabelecidas”, acrescenta.

BNB – Embora elenque IA como um dos investimentos prioritários nos próximos anos, o BNB está ainda na fase de prospecção. Lina Ângela Moreira, superintendente de TI, informa que a perspectiva inicial é aplicar IA nas áreas de relacionamento e suporte.

“Como qualquer nova tecnologia, o grande desafio é sua inserção em nosso ambiente computacional, além da difusão das mudanças culturais entre os técnicos e funcionários”, diz a executiva.

Compartilhe

Notícias relacionadas

Blog
Mudança na natureza jurídica da ANPD fortalece aplicação da LGPD
Por Edilma Rodrigues A Medida Provisória (MPV) nº 1.124, de 13 de junho de 2022 assinada pelo...
Blog
Mercado Pago usa tecnologia de segurança da Mastercard para criptos
A carteira digital do Mercado Livre, o Mercado Pago, vai usar
Blog
Ant Group lança banco digital para micro, pequenas e médias empresas em Singapura
O ANEXT Bank, banco digital de atacado de Singapura e parte do Ant Group, anunciou...
Blog
Cetelem vai reduzir 6 mil toneladas de CO² com emissão de cartões reciclados
O Banco Cetelem Brasil emitiu cerca de 370 mil cartões de plástico reciclado, desde o...

Assine o CANTAnews

Não perca a oportunidade de saber todas as atualizações do mercado, diretamente no seu e-mail

plugins premium WordPress
Scroll to Top