Em entrevista exclusiva, diretor-presidente e vice-presidente falam sobre regulação, inteligência artificial e gargalos na implementação do BaaS
O mercado de serviços financeiros estruturados por meio do Banking as a Service (BaaS) vive um momento de profunda transformação no Brasil. Durante o 1º Congresso da Associação Brasileira de Banking as a Service (ABBAAS), realizado nesta quinta-feira (25) na Sede Nacional da OAB SP, executivos do setor discutiram os principais gargalos operacionais, o impacto das novas regras regulatórias e como a inteligência artificial deve moldar o futuro das finanças digitais.
Gargalos na implementação do BaaS
A inclusão de produtos e serviços financeiros na jornada de consumo tem sido uma estratégia crescente entre empresas de diversos segmentos. No entanto, a transição para esse modelo ainda esbarra em barreiras práticas.
Segundo Douglas Storf, diretor-presidente da ABBAAS e CEO da Swap, o primeiro grande obstáculo é o entendimento do sistema como um todo.
“É difícil ter alguém dentro de empresas que não seja de natureza financeira, que entenda quais são os caminhos, quais são os serviços, quais são os produtos você ter”, explicou Storf. Ele apontou que muitas ideias nascem nas unidades de negócio, mas as companhias encontram dificuldades para torná-las vivas.
Além do desafio de conhecimento, a tecnologia e a governança interna também pesam. Ele afirmou que as organizações necessitam de equipes internas capacitadas para realizar a integração com os provedores. No campo da governança, mesmo sendo tomadora do serviço, a empresa na ponta interage diretamente com o usuário final e precisa garantir a legitimidade das transações dentro de seu ecossistema.
Regulação e a Resolução 16
O cenário regulatório também passa por reconfigurações importantes. Marcelo França, vice-presidente da ABBAAS e CEO da Celcoin, destacou a atuação da associação junto ao Banco Central para equilibrar a segurança do sistema e a capacidade de inovação das fintechs.
França revelou que a ABBAAS participou ativamente da construção da nova regulação de BaaS por meio de consultas e visitas provocadas pelo próprio órgão regulador.
“A gente trocou bastantes informações, sugestões e muitas delas foram adotadas. E acho que é continuar fazendo esse trabalho de acompanhar, de levar para o regulador as preocupações que estão surgindo”, afirmou França.
Essa nova fase é balizada pela Resolução 16, que coloca o Banking as a Service em uma postura central. Conforme explicou Storf, o Banco Central passou a incumbir os provedores de BaaS de realizar uma parte importante do monitoramento e da segurança, funcionando quase como um “posto avançado” do próprio BC para garantir a estabilidade do ecossistema.
Se antes as responsabilidades eram divididas de forma equilibrada entre tomadores e provedores, a nova norma exige que o provedor seja muito mais instrumental nessa garantia, demandando colaboração integral do tomador. O resultado é um ambiente de maior governança, estabilidade e investimentos em proteção.
O papel da Inteligência Artificial
A inteligência artificial (IA) surge como o motor de eficiência para acelerar o setor e mitigar os gargalos tecnológicos. De acordo com França, a IA já possui uso extenso “da porta para dentro” nas áreas de Know Your Customer (KYC), compliance, combate à fraude, consulta e vendas.
Já na relação externa, o principal benefício apontado é a facilitação do Embedded Finance em médias e grandes empresas que não possuem estruturas proprietárias ou profissionais dedicados, como um Head of Financial Services.
Com o suporte de engenheiros equipados com ferramentas de IA, torna-se possível construir casos de uso customizados para as empresas sem a necessidade de montar estruturas complexas dentro de casa, expandindo o alcance do BaaS.
Cooperação contra fraudes para o futuro
Ao projetar melhorias ideais para o ecossistema, o diretor-presidente defendeu que o avanço do setor depende da criação de um sistema colaborativo e integrado de contrainteligência e prevenção a fraudes.
Para Storf, a segurança não deveria ser tratada como um diferencial competitivo entre concorrentes.
“Não é bom para ninguém no sistema que qualquer um dos participantes tenha vulnerabilidades e, portanto, criar um sistema único em que todos participam, colaboram com informações e conseguem coletivamente prevenir ataques e fraudes beneficia a todos os participantes”, concluiu.
As resoluções do BC são aprimoradas conforme a evolução do sistema. No início, o interesse foi trazer novos atores, mas a prioridade agora é melhorar os modelos de gestão e reduzir as fraudes.
O Banking as a Service é um passo adiante nas empresas que entendem que o pagamento não é só a única relação financeira que elas podem ter com os clientes dentro da empresa delas. Se você quer saber mais sobre o poder dos pagamentos, na tomada de decisão do público e como a tecnologia tem ajudado a evoluir, acompanhe a nossa trilha Payment Anyway que começará em breve!