Política de home office e álcool gel não funcionam em favelas, diz líder comunitário


Por Edilma Rodrigues

Governos e organizações têm adotado muitas medidas para prevenir o contágio do novo coronavírus. O uso de álcool gel e o trabalho em casa, o home office, são amplamente aconselhados pelas autoridades. Mas, o coordenador do G10 das Favelas e líder comunitário de Paraisópolis, Gilson Rodrigues, alerta sobre a falta de alcance dessas políticas para moradores de comunidades e favelas. “Empregadas domésticas não fazem home office e continuam lotando os transportes públicos. As diaristas são dispensadas com uma mão na frente e outra atrás,” resume.

Rodrigues salienta a falta políticas públicas para proteção dessa população. “A política que está sendo colocada é para a classe média, de home office e álcool gel. A comunidade de Paraisópolis não tem essa possibilidade e nem condições financeiras.”

Pandemia em Paraisópolis

O líder comunitário informa que houve uma morte, cinco moradores receberam diagnóstico positivo do novo coronavírus. Dois estão internados no hospital de Campo Limpo.

A conscientização dessas pessoas para que fiquem em casa é um dos maiores desafios. “Logo no início se falava que era uma doença para rico. Agora, com o falecimento de uma pessoa na comunidade é que as pessoas começaram a perceber que poderiam ser infectadas.”

“Nesse momento, a comunidade começa a perceber a gravidade da situação, mas ainda se sente abandonada pelo Estado, que até o momento não propôs uma política pública específica para as favelas. O Estado precisa dar acesso a condições dignas para que essas pessoas possam se alimentar, ter produtos de higiene, uma bolsa auxílio nesses próximos três meses.”

Como ajudar?

A principal ajuda, de acordo com o líder comunitário, é divulgar essa situação e cobrar políticas públicas para as favelas. “É preciso diálogo para estabelecer programas para comunidades.” Um dos programas lançados pelo Governo do Estado de São Paulo sobre as caixas d’água, por exemplo, falha, segundo Rodrigues, justamente por não haver água para encher as caixas. “Precisamos de água na torneira em Paraisópolis e em outras favelas,” salienta

Uma vaquinha virtual foi criada para ajudar Paraisópolis e outras comunidades carentes para sustentar a estrutura que a comunidade está montando para fazer frente à pandemia. A iniciativa está no site https://www.esolidar.com/

Paraisópolis: 100 mil habitantes

A comunidade de Paraisópolis é a segunda maior favela de São Paulo e a quinta do Brasil, com 100 mil habitantes; 21.000 domicílios e 14 mil pontos comerciais. Do universo de moradores, 12 mil são analfabetos ou semianalfabetos; 35% da população é composta por jovens de 15 a 29 anos, mais vulneráveis à carência de emprego e oportunidades; 42% das famílias têm mulheres como responsáveis; 25% maior que 60 anos. Paraisópolis conta com 12 Escolas Públicas (Estaduais e Municipais), 1 ETEC, 1 CEU, 3 UBS e 1 AMA.

Um dos principais protocolos da Cantarino Brasileiro frente às demandas que surgem com o Covid-19 é apoiar a comunidade de Paraisópolis, divulgando formas de apoiar os 100 mil moradores.


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