Pagamentos digitais podem gerar mais de US$ 13 bilhões em benefícios econômicos para São Paulo e Brasília


Edição/redação: Edilma Rodrigues

O estudo independente “Cidades sem dinheiro em espécie: compreendendo os benefícios dos pagamentos digitais”, encomendado pela Visa à Roubini ThoughtLab, mostra que benefícios econômicos decorrentes do aumento do uso de meios eletrônicos de pagamentos chegaria a US$ 13 bilhões nas cidades de São Paulo e Brasília juntas. E o impacto econômico poderia gerar benefício líquido de até US$ 470 bilhões por ano nas 100 cidades estudadas, quando consideradas em conjunto – o equivalente a cerca de 3% do PIB médio de todas elas.

O levantamento quantifica os potenciais benefícios experimentados pelas cidades que migram para um nível elevado de uso de pagamentos digitais –  atingido quando o índice de uso de pagamentos digitais de toda a população de uma cidade se iguala ao dos 10% de usuários que mais utilizam esse tipo de pagamento atualmente no município. O estudo não prevê a eliminação total do dinheiro em espécie, porém, busca quantificar os potenciais benefícios e custos do aumento desses pagamentos.

De acordo com o diretor de Relações Governamentais da Visa, Gustavo Noman, o estudo demonstrou que existem vantagens substanciais para consumidores, empresas e governos à medida que as cidades aumentam a adoção de pagamentos digitais. “Os benefícios para as sociedades que substituem os pagamentos em dinheiro pelos digitais são elevação do crescimento econômico, queda da criminalidade, aumento do nível de emprego, alta de salários e aumento da produtividade dos trabalhadores”.

A Roubini ThoughtLab estabeleceu níveis diferentes de maturidade quanto aos pagamentos digitais, tendo como modelo seis cidades (Lagos, Bangkok, São Paulo, Tóquio, Chicago e Estocolmo) que foram avaliadas de forma mais detalhada e representarem seis níveis: Centradas em Dinheiro em Espécie; em Transição Digital; em Amadurecimento Digital, patamar que se encontram São Paulo e Brasília; Digitalmente Avançadas e Líderes Digitais.

Destaques do estudo em São Paulo:

  • Se toda a população da capital paulista alcançasse o mesmo nível dos 10% com maior utilização dos pagamentos eletrônicos, os benefícios líquidos somados seriam maiores que US$ 11 bilhões.
  • No cenário estudado, em 15 anos, São Paulo registraria aumento de 0,23% no PIB por ano e 106 mil novos postos de empregos formais.
  • Em São Paulo, as empresas de pequenos, médios e grandes portes tiveram ganhos substanciais quando passaram a aceitar pagamentos digitais, 51%, 30% e 27%, respectivamente.

Destaques do estudo em Brasília:

  • N na Capital Federal, se toda a população alcançasse o nível elevado mencionado, os benefícios somados seriam maiores que US$ 2 bilhões. Desse total, US$ 1,4 bilhão iriam para os estabelecimentos comerciais, US$ 0,5 bilhão seriam destinados para o governo e US$ 0,2 bilhão para os consumidores da cidade.
  • O PIB em Brasília cresceria, em 15 anos, o equivalente a 0,27% por ano e seriam abertas mais de 20 mil vagas formais de emprego.

O relatório também oferece 61 recomendações para os formuladores de políticas públicas ajudarem suas cidades a ganhar eficiência com o aumento da adoção de pagamentos digitais.

Metodologia

Em 2016, a Roubini Thoughtlab, especializada em pesquisa baseada em dados econômicos e evidências, entrevistou 3.000 consumidores e 900 empresas em seis cidades (Tóquio, Chicago, Estocolmo, São Paulo, Bancoc e Lagos) que representam diferentes níveis de maturidade dos pagamentos digitais. Essas pesquisas examinaram o impacto do uso, da aceitação e do custo-benefício do dinheiro físico e digital.  Então, os pesquisadores extrapolaram os resultados da pesquisa com base nos dados demográficos e econômicos específicos de outras 94 cidades do mundo para determinar o impacto líquido da migração para uma economia sem pagamentos em dinheiro físico nos consumidores e empresas de cada localidade.

Os pesquisadores usaram fontes conceituadas de dados secundários, como o Banco Mundial, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, entre outras, para expandir os resultados e desenvolver as conclusões da pesquisa. Um modelo econométrico adotado por vários bancos centrais e outras instituições chamado National Institute Global Econometric Model (NiGEM) foi usado para estimar os impactos “catalisadores” (crescimento econômico, produtividade, nível de emprego e salários) que a migração para pagamentos digitais teria nas 100 cidades analisadas.


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