Mambu, motor dos maiores bancos digitais do mundo chega ao Brasil


Entrevista com Edgardo Torres Caballero Diretor General para América da Mambu

1 de Março de 2019

Mambu é a empresa líder mundial no mercado de softwares em nuvem para bancos digitais. Sua presença no mercado data de 2011, quando foi fundada na Alemanha por um grupo de experts no mercado financeiro e de tecnologia, liderados por Eugene Danilkis, Frederik Pfisterer e Sofia Nunes, e de lá para cá veem crescendo exponencialmente, hoje servindo mais de 11 milhões de clientes no mundo em cerca de 58 países, com um portifólio de cerca de 6000 produtos ativos avaliados em US$4.5 Milhões.

Com uma estratégia de crescimento global que prevê um aumento de até 6 vezes de sua receita global atual nos próximos 6 anos, o olhar para regiões como a América Latina, e em especial ao seu maior mercado, o Brasil, se torna peça chave para alcançar este objetivo.

Mambu começou com a ambição de levar a tecnologia bancária ao verdadeiro mundo digital, para torná-lo acessível, flexível e pronto para qualquer oportunidade de mercado. A empresa se posiciona como tendo tecnologia para empresas de todos os tamanhos, de fintechs iniciantes a bancos tradicionais operando em todo o globo, com base em sua plataforma que se baseia em 3 princípios: nativo na nuvem, desenvolvimento com base em APIs e SaaS.

Em conversa o Diretor Executivo Américas, Edgardo Torres-Caballero, pudemos detalhar mais estratégia de crescimento para a região, em especial para o Brasil:

CB – Como você detalharia a estratégia da Mambu para esta entrada no Brasil e quais os benefícios do seu negócio no nosso mercado?

ETC – Creio que estamos chegando em um dos melhores momentos no contexto econômico do Brasil onde o mercado financeiro é um dos que mais cresce e em particular o segmento de Fintechs, com mais de 400 empresas. O Brasil é um país consciente de que a tecnologia impulsiona exponencialmente os negócios e que implementações rápidas e flexíveis, principalmente aquelas baseadas na nuvem são indispensáveis.

Fintechs são empresas que precisam de motores rápidos e flexíveis para colocar o seu negócio no ar e estão alinhadas com a estratégia de Mambu em operar como empresas de tecnologia e não apenas negócios financeiros. Além disso, mesmo para empresas financeiras tradicionais, que estão se movendo para o mundo digital, elas sabem que seus sistemas legado não atendem esta demanda, portanto necessitam de uma nova infraestrutura para seus produtos e serviços, a qual possa encurtar seu tempo de implementação e go-to-market.

A Mambu oferece arquitetura completa para o motor destes bancos e fintechs com uma plataforma de código fonte único que permite customização e parametrização feita pelo próprio cliente, pela Mambu com seus serviços de consultoria ou por seus parceiros de negócio que atuam em seu Marketplace.

Muitos de nossos clientes como o N26, considerado o primeiro banco digital da Europa, estão expandindo rapidamente suas operações pelo mundo e isso só é possível porque utilizam o motor da Mambu.

CB – Com base na última rodada de investimento que vocês receberam, os 30MM de Euros através do fundo Bessemer Venture Partners, como isso se corresponde em termos de aporte a operação no Brasil?

ETC – O Brasil, sem dúvida, é um de nossos mercados mais importantes para investimento nos próximos anos e com certeza parte deste aporte será destinado ao trabalho de estruturação de uma equipe comercial, que já temos representada no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Com o objetivo de expansão global em termos de receita em cerca de 6 vezes em 3 anos, temos também a meta de expandir a base de colaboradores em pelo menos 3 vezes, o que inclui todas as funções, de comercial a suporte nos idiomas dos países que atendemos. Já temos, com base em Miami, um centro de atendimento aos nossos clientes que responde em inglês, espanhol e, em breve, falará também português, pois sabemos como isso é importante para o mercado brasileiro, independente do tamanho da empresa.

Nossa experiência de crescimento em mais de 50 países nos dá respaldo para um processo de roll-out com mais segurança.

CB – E quanto às adequações, dos seus sistemas, quanto às regulações do Brasil?

ETC – Somos muito preocupados com isso, e vimos aprendendo bastante com esta expansão rápida ao redor do mundo. Mas estamos sendo também felizes por estar estrategicamente alinhados com resoluções no Banco Central brasileiro, como a Criação da “Sociedade de Crédito Direto” que permite às fintechs manter contas de pagamento e utilizar recursos próprios ou de terceiros para oferecer empréstimos por meio de plataforma eletrônica. Além da resolução que permite que serviços financeiros baseados em nuvem não necessariamente precisam estar localizados no Brasil. Apesar disso, temos parceiros estratégicos, como a AWS, que fornecem sua nuvem no Brasil, facilitando ainda mais o provimento dos serviços e melhorando a infra para o mercado brasileiro.

Com isso também estamos focando na contratação de pessoal comercial e operacional que entenda do mercado financeiro brasileiro e consequentemente de suas particularidades regulatórias e legislativas.

CB – E quanto à concorrência, como vocês se posicionam?

ETC – Mambu é um motor tecnológico de 3ª. Geração, e, neste nível de avanço e inovação, somos únicos no mercado, mas mais que olhar para as empresas que fornecem tecnologia para bancos digitais como concorrentes, sempre buscamos olhá-los como nossos potenciais parceiros na oferta de serviços cada vez mais completos aos clientes.

Como nossa plataforma é um orquestrador de APIs, somos sempre capazes de agregar novos serviços através dela.

CB – Como vocês pretendem crescer no Brasil em termos de clientes, segmentação. Estes clientes serão atendidos diretamente pela Mambu?

Sabemos que há grandes bancos no Brasil que estão cada vez mais digitais em seus negócios, incluindo spin-offs como o Banco Next do Bradesco. Há ainda o que chamamos de “challenge banks” como NuBank e Inter, que nasceram digitais. E ainda as diversas fintechs, que são um mercado em crescimento  no Brasil, como por exemplo as SCD. Por fim, há também um mercado potencial em empresas que não são necessariamente instituições financeiras, mas que querem oferecer um portfolio de produtos bancários aos seus clientes como por exemplo empresas de varejo e companhias telefônicas.

Para o atendimento crescente de clientes usaremos o nosso sistema de parcerias, que vão desde as maiores consultorias de integração como Accenture até empresas locais, desenvolvedores e empresas de serviços que queiram se juntar ao nosso ecossistema (marketplace), inclusive com complementação de nosso portfólio com seus produtos.

CB – Você poderia nos comentar quanto seria um investimento médio de um cliente para obter os seus serviços?

ETC – Na Mambu usamos um parâmetro mais interessante para definir o investimento do cliente, mostrando a economia que ele realiza contratando a nossa plataforma. Um projeto tradicional de banco digital, com base em sistemas legados leva até 5 anos para go live. Usando a Mambu, esta implementação se reduz para um projeto de 4 a 8 meses para estar totalmente operacional.


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