Goldman Sachs pode adquirir a E-Trade ou se fundir com o US Bank


Altos executivos do Goldman Sachs discutiram confidencialmente a possibilidade de dois grandes negócios: um envolve a aquisição da corretora de varejo E-Trade Financial Corporation e o outro, uma fusão com o US Bank, de acordo com banqueiros de investimento citados pela Fox News.

Qualquer um dos movimentos seria dramático para a Goldman, assinala Gregory Magana da Business Insider, uma vez que a E-trade tem US$ 346 bilhões em ativos sob gestão, enquanto o US Bancorp exibe 18,7 milhões de clientes e 3 mil agências. “Os dois acordos, no entanto, ainda são especulações até este momento, e pessoas familiarizadas com o assunto dizem que não há discussões formais dentro do Goldman para formalizar negociações de fusão com qualquer das partes,” explica.

Pode ser uma tentativa do banco de reformular sua estratégia como banco de varejo, depois de encontrar alguns ventos contrários com seus produtos proprietários:

  • Marcus. O principal negócio bancário de varejo do Goldman, o Marcus, que oferece empréstimos e uma conta poupança de alto rendimento, teve uma trajetória sólida até o momento: atingiu US$ 55 bilhões em depósitos ao consumidor nos três anos desde seu lançamento e gerou US$ 5 bilhões em empréstimos ao cliente. Mas exigiu firme investimento da instituição: houve perdas de US$ 1,3 bilhão desde 2016, comandadas por gastos em aquisições de startups, espaço de armazenamento em nuvem e contratação de talentos em tecnologia. E o Goldman deu baixa em US$ 155 milhões nos primeiros seis meses de 2019, o que torna necessário que a empresa encontre uma maneira de limitar essas perdas para gerar lucro por meio de seu segmento de varejo.
  • Apple Card. Em cooperação com a Apple no Apple Card, o Goldman estava bem posicionado para ganhar com o alto perfil do projeto e acabar com o gargalo de usuários do iPhone como novos clientes. E teve um começo sólido, tendo concedido US$ 10 bilhões em crédito aos clientes do Apple Card a partir de setembro. Mas o empreendimento era extremamente caro: o banco gastou cerca de US$ 300 milhões para construí-lo e transferiu milhares de engenheiros para finalizá-lo dentro do prazo, de acordo com o Business Insider. E, para complicar ainda mais, agora, o Apple Card enfrenta uma investigação do Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York para determinar se seu algoritmo de concessão de crédito apresenta preconceito de gênero.

Uma aquisição ou fusão pode permitir que o Goldman acelere rapidamente seu cronograma para obter sucesso como banco de varejo. Embora a instituição tenha enfrentado desafios para manter suas soluções proprietárias funcionando a todo vapor, a compra ou a fusão com um banco de varejo existente permitiria ao Goldman essencialmente comprar uma base de clientes desse segmento e criar uma oferta de uma posição de escala mais forte.

Uma questão que persiste, no entanto, é se esse tipo maior de movimento  deixaria o Goldman com um problema de identidade: o banco tem reputação de líder no segmento de alta renda, assim, uma mudança dessa amplitude para o segmento de varejo poderia confundir a percepção pública da instituição e fazer com que isso seja visto como um rebaixamento de mercado por clientes ricos que procuram serviços diferenciados.

Fonte: Business Insider

Tradução e adaptação: Edilma Rodrigues


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