Fintechs na Índia: sucesso de público e crítica


Por Cida Vasconcelos*

De acordo com artigo publicado no portal da Inc42, plataforma de mídia e informação da Índia, as fintechs têm sido uma força transformadora no mercado local com novos meios de pagamentos, empréstimos e investimentos digitais. A taxa de adoção da Índia para produtos das fintech é de 59%, o segundo maior ritmo do mundo, conforme análise da DataLabs da Inc42. 

A desmonetização no país, em ascensão desde 2016, é um marco e tem feito este ecossistema crescer exponencialmente. Com o cancelamento da emissão de notas pelo Banco Central indiano (RBI) – dinheiro vivo – de 500 e 1000 rúpias, cerca de 86.4% do dinheiro em circulação sumiu da noite para o dia, segundo o RBI. Isso forçou o público a usar pagamentos digitais e transações on-line em massa. E fez a quantidade e variedade de fintechs explodir. O governo indiano, por meio de seu relatório “Report of the Steering Committee on Fintech Related Issues” de 2019, aponta um cenário de crescimento para as fintechs e as cita como um fator de inclusão e acesso financeiro à população.

Apesar de o crescimento inicial ter sido um pouco caótico, o crescimento das fintechs indianas, nos últimos anos, é bem consiste e os dados do setor mostram um forte potencial daqui para frente. A taxa de adoção do país para produtos de fintech é de 59%, significativamente superior à média global de 33%, conforme análise da DataLabs da Inc42. Isso tem mudado radicalmente o comércio e meios de pagamento por lá.

O portal lista as principais fintechs do país em vários setores:

  • Paytm: lançada em 2010 por Vijay Shekhar Sharma, a Paytm é uma carteira digital e a única empresa na Índia no degrau de super unicórnio, ou seja, vale mais de US $ 10 bilhões. Atingiu mais de 300 milhões de usuários em 2018. A empresa também lançou uma plataforma de investimentos e negociação chamada Paytm Money e entrou no comércio eletrônico com o Paytm Mall.
  • PhonePe: fundada em 2015, com sede em Bengaluru, oferece um aplicativo de pagamentos baseado em UPI (Interface Unificada de Pagamentos), além de suporte para cobrança, recargas, comércio eletrônico e outros serviços on-line. De acordo com os dados da UPI divulgados em agosto de 2019, o PhonePe foi o aplicativo líder para pagamentos da UPI na Índia.
  • MobiKwik: plataforma de serviços financeiros independente do emissor. Oferece carteiras digitais, gerenciamento de patrimônio, seguros e outros. A empresa foi uma das primeiras a conceder um empréstimo em cerca de 90 segundos.
  • PayU: PayU é um gateway de pagamentos digitais e provedor para pequenos e médios comerciantes, fornecendo tecnologia para realizar transações on-line. Além de pagamentos, o aplicativo pode ser usado para monitorar o desempenho dos negócios A empresa está presente em mais de 17 países.
  • ETMoney: é o maior aplicativo da Índia para serviços financeiros. Os consumidores usam o ETMONEY para investir em fundos mútuos, fazer seguros e para cartão de crédito com empréstimos de baixo custo. Com um crescimento anual de 340%, tem mais de 7 milhões de usuários em mais de 1300 cidades indianas e está gerando mais de US $ 500 milhões em volume de transações anuais.
  • PolicyBazaar: é uma plataforma agregadora de seguros que permite a escolha daquele que mais convenha aos consumidores. A empresa indica um crescimento de 100% em 2019, atendendo a mais de 100 milhões de consumidores.
  • LendingKart: a empresa opera como um NBFC (Non Banking Financial Company) e se concentra principalmente nos empréstimos e capital de giro para pequenas e médias empresas. A empresa usa a análise de big data para ajudar os credores a avaliar a capacidade de crédito e concluir o processo de desembolso do empréstimo mais rapidamente do que os bancos tradicionais. 

Mais informações sobre o mercado de fintechs na Índia, bem como as medidas governamentais de incentivo e fomento desses modelos de negócio estão detalhadas no relatório “Report of the Steering Committee on Fintech Related Issues” de 2019, emitido pelo Departamento de Assuntos Econômicos do Ministério de Finanças do Governo da Índia.

O relatório traz uma série de recomendações para expansão das fintechs na Índia, tais como remoção de barreiras regulatórias discriminatórias na infraestrutura de pagamentos digitais, preocupações com  segurança cibernética, controle de fraude e lavagem de dinheiro, expansão dos sistemas de garantia de crédito agrícola, melhores fluxos de aprovação de crédito para pequenos e médios negócios, reformas nos modelos de negócio P2P facilitando os financiamentos de dívidas, criação de bancos virtuais, desmaterialização dos instrumentos financeiros, entre outras. 

Neste relatório, mais uma vez, notamos semelhanças entre os mercados brasileiro e indiano, em termos de estrutura, necessidades, ofertas e consumidores, indicando, de novo, o quanto podemos nos espelhar em seus exemplos para boas práticas no Brasil.

*Cida Vasconcelos é Consultora de Marketing na Cantarino Brasileiro.


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