Como conectar pessoas emocionalmente aos robôs


Rodrigo Scotti é fundador e CEO da Nama, uma empresa orientada a design que combina inteligência artificial, processamento de linguagem natural e chatbots para automatizar conversas e conectar pessoas emocionalmente com robôs.

Com mais de 7 anos de experiência no campo de Inteligência Artificial, Rodrigo foi destaque na lista Forbes 30 Under 30 como um empreendedor disruptivo, ajudando a criar um futuro mais simples, resolvendo interações complexas. No AI View 2019, o empresário vai abordar como chatbots e assistentes virtuais estão cada vez mais presentes no dia-a-dia das pessoas.

1 – Como surgiu a ideia de criar um chatbot e automatizar conversas?
A ideia surgiu em 2014, inicialmente com assistentes baseados em voz, similar à Siri, porém, voltados para aplicações corporativas. Notamos que conversas por chat apresentavam um crescimento relevante, tornando-se o canal preferido para clientes em todo o mundo. Com isso em mente, iniciamos o desenvolvimento do nosso produto, tendo em vista a necessidade de simplificar a experiência de atendimento ao cliente em grandes empresas. Nossa tecnologia proprietária de Inteligência Artificial, trabalhando em conjunto com outros módulos de nossa plataforma, podem automatizar o suporte por chat, oferecendo um serviço mais rápido e personalizado para os clientes, economizando custos nas áreas de suporte e aumentando as oportunidades de vendas consideravelmente.

2 – O atendimento ao cliente tende a melhorar com o uso de assistentes virtuais? Como isso será feito?
O perfil do cliente brasileiro ficou mais exigente nos últimos anos, e, com isso tornou-se cada vez mais comum encontrar marcas que fazem uso da IA para otimizar o relacionamento com seus consumidores e ofereçam soluções mais rápidas para sanar dúvidas, resolver problemas, ajudar na escolha de produtos e diversas outras facilidades. Segundo pesquisa da consultoria Gartner, devido à preferência dos clientes, até 2020, 85% das interações entre pessoas e marcas ocorrerá por atendimento virtual. O resultado desse estudo confirma que a adoção de tecnologias como os chatbots e o uso da Inteligência Artificial é uma forma das empresas valorizarem seus clientes ao disponibilizar mais canais de comunicação e fornecerem mais agilidade no atendimento. Os chatbots são ideais para negócios que têm grande tráfego de atendimento ao público, como empresas de Telecom ou órgãos governamentais. Por conta desse cenário, percebemos que o crescimento da adoção de IA no atendimento ao cliente tem facilitado a vida dos usuários com atendimentos rápidos e personalizados, por meio de experiências cada vez mais próximas de uma interação humana.

3 – Em que patamar está o uso dessa tecnologia no Brasil?
O brasileiro é um entusiasta nato de tecnologia. Naturalmente, nos damos bem e sempre buscamos ir atrás de novidades para deixar nossa rotina mais prática ou otimizar nosso negócio. Nos últimos dois anos, empresas de diversos portes, e até governos, começaram a se movimentar em como implementar Inteligência Artificial no seu negócio. Assistentes de IA que conseguem automatizar conversas são particularmente mais populares devido ao benefício imediato que geram, tanto para o consumidor, quanto para empresa. Em termos de pesquisa e desenvolvimento nacional desse tipo de tecnologia, ainda são poucas empresas e academias que detém know-how e estrutura técnica para avançar significantemente. Um caminho natural para investimentos acadêmicos, empresariais e governamentais é em estrutura para desenvolver e aplicar IA. Dessa forma, em questão de dois a cinco anos vejo que o Brasil tende a crescer exponencialmente em investimentos na área.

4 – Pode contar um pouco da sua trajetória no campo da AI?
Minha trajetória no campo da IA se junta com minha trajetória com empreendedor. Fundei a Nama há 5 anos e antes disso tinha sido fundador de outra startup com competências-chave similares: inteligência artificial voltado para linguagem natural. Criar e aplicar soluções onde conseguimos nos relacionar com a tecnologia da mesma forma que conversamos com outros humanos é incrível em diversos níveis, tanto filosoficamente quanto mercadologicamente. Acabei me focando em como empreender com esse tipo de solução e, também, em como avançar com pesquisa e desenvolvimento proprietários, mesmo com recursos limitados. Atualmente, estou à frente da Nama, mas também sou secretário e co-fundador da Associação Brasileira de Inteligência Artificial (ABRIA), onde acreditamos na soma de esforços do setor de Inteligência Artificial para acelerar o desenvolvimento em diversas esferas do Brasil.


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