Brasil recupera liderança como maior ecossistema de fintechs da América Latina, com mais de 370 startups


Por Edilma Rodrigues

Na nova edição do Fintech Radar Brasil, que conta com a colaboração do Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Finnovation, o País recupera a liderança como maior ecossistema de fintechs da América Latina. Segundo o levantamento, o Brasil conta agora com 377 startups financeiras. Na edição anterior, em agosto de 2017, o México era o maior, com 238 fintechs ante as 219 brasileiras.

Segundo o estudo, o ecossistema brasileiro de fintechs é uma vez e meia maior que o do México e até três vezes maior que a Colômbia, que ocupa o terceiro lugar na região, com 124 startups. O ecossistema de fintechs no Brasil teve incremento de 158 novas startups, 48% de aumento anual.

Ainda segundo o levantamento, o ecossistema de fintechs do Brasil teve 14% de taxa de mortalidade, desde a última edição. Ao todo, 30 startups pararam de operar. “Levando isso em conta, um total de 188 novas fintechs realmente surgiram nesse período no Brasil,” informa o relatório do Fintecch Radar Brasil. Comparado aos principais ecossistemas da região, a taxa de crescimento anual no Brasil é similar às do México, Colômbia e Argentina, que registraram incrementos de aproximadamente 50%, exceto o Chile, que cresceu em 22%.

Outra constatação é que pagamentos e remessas (25% do total com 96 startups); gestão financeira corporativa (17% do total, com 63 startups) e empréstimos (15% do total com 56 startups) são os principais segmentos de atuação das fintechs no Brasil. O estudo aponta também os cinco segmentos emergentes, que detém menos de 6% do total de fintechs identificadas: seguro; pontuação alternativa, identidade e fraude; mercados de negociação e Capital; bancos digitais e tecnologias empresariais para instituições financeiras.

“O sistema bancário brasileiro é conhecido como um dos mais burocráticos do mundo, com os cinco maiores bancos do país (Itaú Unibanco, Banco Santander, Banco Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica) detendo 80% do market share no mercado de crédito. Como resultado, os consumidores se deparam com experiências muito negativas, barreiras e impedimentos significativos, como as taxas de juros anuais extremamente altas, que podem chegar a 450%,” avalia o relatório.

Essas taxas posicionam o Brasil como um dos países com as taxas de juros mais altas do mundo, atrás apenas de Maláui e Madagascar. A boa notícia é que essa concentração de poder e seu subsequente mercado oligopolístico deixam o sistema financeiro brasileiro em uma posição mais suscetível à inovação das fintechs. “Além disso, o Brasil tem uma alta penetração de smartphones e níveis consideráveis de acesso à internet, o que representa uma oportunidade para o desenvolvimento de tecnologia de serviços financeiros.

Em 2017, a penetração móvel no Brasil atingiu 138%, acima da média global de 115%. As transações bancárias móveis também dobraram em um ano, o que representa 34% do total de transações realizadas em 2016. Se essas tendências continuarem, estima-se que as fintechs tenham potencial de gerar receitas de até US $ 24 bilhões nos próximos 10 anos.

A edição anterior do Fintech Radar Brasil foi publicada em novembro de 2016 pela Finnovista.


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