Banrisul prioriza agenda de Transformação Digital como adaptação à nova realidade do mercado e dos clientes


Os chatbots embarcados em robôs e na androide que conversaram com os participantes do 12º Fórum de TI Banrisul foram um dos poucos toques “futuristas” do encontro. No geral, o tema Inovação e Transformação Digital, o impacto no modelo de negócios foi abordado de forma pragmática. Open banking, blockchain, Inteligência Artificial, assim como os desdobramentos dessas tecnologias para a atual geração de clientes, deixam de ser tratados como “tendências” e foram assuntos discutidos a partir de estratégias reais, com palestras que mostram uma visão já amadurecida dessas transformações.

“O banco digital trouxe desafios aos modelos de inovação e eficiência operacional. O open banking certamente vai trazer serviços a custos menores”, reconhece Luiz Gonzaga Mota, presidente do Banrisul. O executivo avalia que nos próximos três anos se consolida um ecossistema de bancos de rede, bancos digitais e fintechs. “É uma evolução sem ruptura”, define. “Setor ainda não aboliu totalmente a gravata, como vemos com alguns palestrantes”, ironiza. Mas hoje é aberto a novas relações sociais no mundo conectado”, pondera.

“O open banking significa dar ao cliente a titularidade de seus dados e poder de decisão”, lembra Jorge Krug, diretor de TI do Banrisul. Mais do que adequar a arquitetura tecnológica, com a exposição de APIs e todo o trabalho adjacente (como segurança), questões como a precificação de cada participante dos novos ecossistemas seriam os maiores desafios.

“Transformação Digital tem menos a ver com tecnologia do que com interações humanas. Entender a vivência do cliente e compor novas experiências é o foco. Não basta estar online; é preciso estar onlife”, observa Fabiano Droguetti, diretor executivo da CSU CardSystem.

Nori Lerman, diretor de inovação da Saque-Pague, destaca que se acentua a diversidade de modelos de acesso a serviços digitais. “O ecossistema hoje deixa clara a tendência de fusão do digital e do físico. O Banrisul foi pioneiro na digitalização do dinheiro. Em alguns segmentos de varejo, ainda vemos 70% das transações em dinheiro, o que mostra as oportunidades”, menciona.

Daniel Arraes, diretor de serviços analíticos da Fico, constata a rápida migração do plástico para outros meios digitais, principalmente entre os segmentos mais jovens do público. Contudo, enfatiza as mudanças comportamentais. “A geração Z não sabe o que é ir a um lugar para abrir uma conta em banco. Para eles o mundo sempre foi digital. Eles dão mais valor à experiência do que às posses e têm um forte viés de ética. Também vêm o consumo como uma expressão individual e a percepção de geração de valor para a sociedade pesa nas decisões”, descreve.

João Pedro Paro, presidente da Mastercard para Brasil e Cone Sul, também destaca a agenda de arquitetura aberta. “Cada forma de pagamento – cartão, transferência entre contas e outras modalidades – é um contêiner que não conversa com outro. Temos a responsabilidade de deixar o consumidor decidir e fazer esses contêineres interoperarem”, afirma. Os fundamentos de flexibilidade se devem tanto a razões técnicas quanto de negócios. “Quando surgiu o cartão com chip, havia expectativas de aplicações que não aconteceram. O grande ganho foi o padrão de segurança. Hoje, temos que ter certeza de oferecer o produto que o cliente queira”, exemplifica.

A prioridade de prover estabilidade em ecossistemas com agentes com diferentes níveis de segurança é outro pilar destacado por Paro. “Temos hoje dezenas de milhares de tentativas de ataque por dia. Uma base de dados frágil pode comprometer toda a confiança”, observa. Ao mesmo tempo, pondera que a segurança não pode inibir as iniciativas e a competição. A boa notícia é que bandeira hoje tem condições de levar ao mundo digital uma robustez equiparável à do segmento de cartões presentes.

A tokenização (em que a informação original é convertida a uma representação, associada a determinado contexto, que e só pode ser revertida em um ambiente seguro) foi inicialmente uma solução para mitigar riscos em pagamentos não presenciais. Agora entra no portfólio de adquirentes e outros parceiros, com uma abordagem bem mais ampla. Além dos pagamentos online, os tokens são a base de serviços como os “pays”, da Apple, Sumsung ou Google. Segundo Paro, o índice de fraude nesses canais é comparável ao dos pagamentos físicos. “A partir de 2020, a tokenização deve se tornar padrão para transações presenciais”, revela. As fraudes custam US$ 70 bilhões por ano e precisamos livrar o mundo do custo desse risco”, acrescenta.


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